Não… não te posso amar
Tu és rosa e eu sou rosa
O que nos diferencia é a folhagem
Os picos e os uivos dos lobos.
Não te beijo, não te quero…
Porque morro quando te sinto!
Tu és a verdade com que minto
És o rio onde me afogo.
Não… não te posso desejar…
Perante os outros, nem num abraço.
Eu sou capim seco, tu és abrasante fogo
Não te quero porque morro
Não… não te posso chorar.
Tu és a cigarra e eu o canto
Tu és gaivota, eu sou gaivota.
Só rasgando os céus te posso encontrar
Numa reminiscência de mar profundo
Que se revolta num penhasco
Num pináculo atordoante de abismos
Ou quem sabe?
Se numa cúpula desenfreada
de borboletas assassinadas!
Não… não te posso amar
Sem rasgar do ventre a transparência
Sem enlouquecer na urgência
Dos nossos corpos enamorados.
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